Respirou-se o ar de Londres em Campolide, sábado passado (dia 4 de junho).
Os
Varukers estavam de volta a Portugal ou seja, o clima de festa adivinhava-se facilmente...
O que não foi muito fácil foi encontrar o
C.R.P. de Campolide, mas com uma indicação ou outra... lá se deu com a "mansão".
O espaço era altamente convidativo...
A sala dos concertos tinha um ar tipo "pequeno teatro", com palco elevado, com alguma profundidade.
Na sala havia ainda merchandising variado (k7’s, cd’s, t-shirts, fanzines e muito mais cenas), para o pessoal interessado na cena...
Mas o melhor (também devido a ser ao ar livre) era um pátio-esplanada nas traseiras, bem discreto e isolado (com mesas e cadeiras), virado para um bar onde havia comida e bebida a preços minimamente acessíveis.
A festa punk instalou-se!!!
Mal entrei, deparei com um ambiente espectacular, estava tudo em amena "cavaqueira", pessoal que já não via há muito tempo em cumprimentos, alguns a contar as últimas notícias de Inglaterra...
Sim, porque veio uma comitiva de pessoal português, juntamente com... os
Varukers, que também se encontravam no meio do pessoal em rasgados sorrisos, próprios de quem se sente bem entre os punks portugueses.
Aliás, não é para menos, a banda britânica conta actualmente com um português nas funções de baterista, de seu nome
Ricardo, um tipo bem simpático, que fez questão de se envolver com o ambiente geral do espaço.
Ricardo falou-me um pouco dos seus momentos (inesquecíveis) com a banda, com concertos recentes dados um pouco por todo o lado (um dos quais em Nova Iorque), enquanto que outro "
Varuker" me segredava que era o espírito punk deste jovem português que levava a banda "para a frente"!
É agradável saber isso... o pessoal português ainda "mexe"...
O mítico vocalista
Rat era o mais velho elemento e por isso o mais recatado, mas sempre dando o seu palpite.
Calmo, mas sempre bem disposto...
A cerveja jorrava a rodos e o clima estava bem animado.
Mas era tempo de ver a primeira apresentação da tarde, os
M:A:D já se preparavam...
Trouxeram-me uma cerveja de última hora e lá subimos para o espaço dos concertos.
O pessoal que controlava o espaço foi bem pacífico e notava-se que tinha alguma preparação para eventos destes (copos de plástico para quem queria beber na sala, revista mínima com um "posso?" bem descontraído, bilhetes sem problemas, tudo ok).
Logo que a banda de Sacavém subiu ao palco, notou-se bem a presença de um segundo vocalista... nada mais, nada menos que
Manolo, ex-vocalista de
Crise Total!
A prestação dos
M:A:D foi animada, com alguns temas novos, em que houve espaço para interpretar uma entusiasmada versão de "
A crise continua", dos
Crise Total!!!
O vocalista
Miguel bem referenciou que naquele momento se encontravam na sala os 3 vocalistas que passaram pelos
Crise (ele próprio, o companheiro de palco
Manolo e no público o
Xico Gritador).
Ainda se ouviu um tema dos brasileiros
Olho Seco, perto do final.
Ainda considero o melhor tema da banda "
O pão que o diabo amassou", que um pouco mais tarde, depois da actuação,
Manolo indicou-me que era da autoria do
Serpa (já um dos temas que sempre gostei foi o "
Zombies" dos
Tara Perdida, também da autoria deste "jovem", que também lá se encontrava no espaço).
Agradeceram ao pessoal antigo que lá se encontrava, pelo espírito que mantêm (e pela presença), entre os quais,
João Ribas...
Entre duas ou três palavras,
Manolo indicou-me que sempre acompanhou os
M:A:D, de longe ou de perto e que de uma maneira ou de outra sempre acompanhou o ambiente punk...
Pois foi neste periodo que a vontade de conversar "falou" mais alto...
Ao encontrar ainda mais gente, gerou-se um autêntico "parlamento" punk, com o pessoal a contar histórias, a falar de bandas (havia mesmo muita gente de bandas), de pessoal de Londres que não pôde vir, enfim, um rol de aventuras...
Infelizmente, depois de voltar para o pátio, com imenso pessoal de novo em convívio com os
Varukers e com um jantar improvisado que a banda simpaticamente ofereceu ao pessoal que lá se encontrava, que não assisti à actuação dos
Pitch Black,
Alien Squad e
Decayed (ainda falei com algum pessoal que tinha vindo de propósito para ver esta banda).
Desculpem lá, mas a conversa voltou a falar mais alto...
Biff, o
Varuker mais alegre da noite, não parava de se rir...
O guitarrista confirmou-me que gosta de estar sempre na paródia e que mente constantemente...
Uma história contada em Linda-A-Velha na actuação de há dois anos, de uma avó que morava no Algarve era... uma grande tanga!
"You’re a liar,
Biff"...
Mas para compensar, ele disse-me que fala sempre uma cena destas em cada sítio onde actua...
Ok, estás perdoado, pá...
Outro elemento me perguntou se a cerveja acabava, no bar...
"Epa, acho que não, mas pergunto já..." (bem lembrado, os gajos já viram de tudo, portanto...)
Responderam-me que obviamente que não ia acabar, havia bebida suficiente para todos...
E as conversas alongaram-se até o início da prestação dos
Varukers (aliás, houve alguém que me disse que curtiu mais o ambiente do que os concertos propriamente ditos).
E a banda punk com cerca de 25 anos no lombo, finalmente subiu ao palco.
O caos começou logo no primeiro acorde!
As primeiras filas agitavam-se activamente, como se precisassem disso para sobreviver...
Rat entrou em fúria, como se estivesse a declamar uma acção de protesto hoje mesmo, sem sentir os anos dos temas, sem descurar o agitado público, que tanto cantava e aplaudia a banda.
Grandes hinos se ouviram, entoados bem alto por gargantas sedentas de punk-rock...
Os clássicos seguiram-se uns aos outros, com uma movimentação aguerrida em cima do palco, mas minimamente ordeira (isso é possível?) e com a festa a crescer tema após tema, num frenesim digno de se ver...
Houve ainda tempo para a banda voltar ao palco, interpretando mais um par de temas, mas já passava da meia-noite e o barulho deveria ser extinguido naquele local...
No fim, mais um alegre convívio entre o pessoal...
Entre cumprimentos à banda e desejos que os britânicos voltem em breve, observava-se a satisfação entre os
Varukers e fãs, numa sensação de "missão cumprida" em fazer a festa punk em terras lusitanas, promessa que
Rat já tinha feito na revista
Underworld, numa entrevista recente.
Mas a sensação que tive é que se "respirou" ar de Londres...
Sem dúvida!!!
Grande festa que foi...
Ainda um último pormenor, na parte final, após o concerto dos
Varukers, dirigi-me para o bar, sedento por uma cerveja gelada...
Pois é... "tenho muita pena, só tenho whisky... ou vodka..."
O
Varuker tinha razão...
Uma cena ficou-me na memória... qualquer um que quisesse estar presente no pátio-esplanada daquele espaço, mas que não quisesse pagar bilhete para ver os concertos, poderia estar ali a desfrutar do ambiente, na boa... até ouvir cá fora os concertos...
Nota positiva para a organização do festival
(Old School) Punk-Metal Fest... competente q.b. e sem imprevistos...
A
Zero Work/Under Eventos está de parabéns...
Ainda estava na memória de alguns (que puderam participar) o festival
Wasted de maio passado na capital inglesa, com imensos nomes de grandes bandas punk... mas isso fica para outra vez...
Brevemente, farei uma pequena (mas sentida) descrição deste festival, feita pelo meu grande amigo
Pedro, que me contou entusiasticamente breves momentos, que me levaram logicamente a concluir que sou definitivamente um grande burro, em não ter desviado um avião, assaltado um comboio, ou a fazer-me à estrada, para assistir a este evento... bolas...
Entretanto, não se esqueçam de consultar o site dos
Varukers, para saberem notícias frescas da banda...
www.varukers.co.ukO Punk saiu à rua... em Campolide...