London calling, london calling...
Ontem foi dia de mais um concerto do regresso dos Sex Pistols, o segundo consecutivo na Brixton Academy de Londres... e que regresso, meus amigos, que regresso.
Mais festivo e alusivo aos dias de '77 era impossível!
A verdade é que passaram 30 anos do lancamento de “Never Mind The Bollocks…” e isso sente-se ao ver na multidao punks quarentoes e cinquentoes de crista de metro e meio, mas alguns deles com visíveis falhas capilares na nuca…
Mas nao julguem que era noite de velhadas, embora a maioria ja tivesse ultrapassado os trinta, havia putos de 14, 15 anos em grupos, de t-shirt e cabelo espetado como manda a tradicao.
A Brixton Academy é um excelente espaco, com o chao da sala inclinado para visualizar o palco sem problemas, com um tecto magnifico (a imitar ‘céu aberto’) e especialmente com excelente acústica…
Depois de lá entrar (19 horas em ponto, como indicado), para minha surpresa actuaram os The Thirst, uma curiosa banda de jovens com um rock furioso que navega no ska/reggae, com contornos hip hop (podem conhece-los em http://www.thethirst.co.uk/ ). Cativou minimamente a audiencia nos 20 minutos de actuacao, mas obviamente todos estavam à espera dos senhores que se seguiam…
Outra surpresa, um DJ veio animar o pessoal com adaptacoes de temas famosos (“Killing In The Name Of” dos Rage Against The Machine foi a melhor conseguida), mas depressa saturou a multidao que gritava pelos Pistols… mais de uma hora de seca e finalmente sentiu-se a sala a abanar!
Depois de da entrada triunfal ao som de um tema classico de Vera Lynn ("There'll Always Be An England" com a plateia a cantar em uníssono) Johnny Rotten/John Lydon entra em palco com um “hello London, how the fuck are you?”.
Os acordes de “Pretty Vacant”meteram tudo em delirio (a sala estava esgotadissima) e comecam os empurroes e a cerveja a saltar, apesar de se conhecer o publico ingles como extremamente civilizado nos concertos.
A sonoridade é pujante (se calhar como nunca foi, se exeptuarmos 1996), com a guitarra e baixo a rasgar, para alem da bateria com marcacao forte.
Os temas desfilam e a malta agita-se com frenesim, ao som de “No Fun”, “Did You No Wrong” e muitos outros…
Johnny é um verdadeiro mestre de cerimónias, um ‘crowd-teaser’ que dispára em varias direccoes.
“Liar” é dedicado ao Primeiro-Ministro com especial mencao (“conhecemos bem esse fdp…”).
Logo a seguir, refila com os tecnicos de luz a pedir para retirarem o strobelight, “nao queremos cá essas mariquices…”
Ha um prazer especial em ouvir estes temas ao vivo, fizeram sentido ha 30 anos e afinal continuam tao actuais.
A banda retira-se ao fim de 50 minutos e apos a habitual gritaria do publico, regressa para o encore…
“You’re fucking right, I’m a fat bastard” refere Rotten exibindo a sua barriga.
Logo comecam com “God Save The Queen” com a ‘imagem de marca’ do tema ao fundo (num pano gigante em tons de azul, a imitar selos dos correios).
Mais caos, mais cerveja a voar, pecas de roupa e o diabo a quarto…
“EMI” tem mencao honrosa aquela empresa , “quem é que está mal agora, seus exploradores?”
Ha tambem apelos patrioticos, para nao deixarem que o país continue no ponto em que está, ha que marcar pela diferenca e agir, nao compactuando com as novas politicas, mas com a ressalva que adora todos os ingleses, sejam eles brancos, negros, azuis ou de qualquer cor.
Logo depois ha novo abandono e regresso a palco, com “Anarchy In The UK” metendo a sala em histeria! Tudo aos saltos e aos empurroes, com os quarentoes e cinquentoes em visivel extase, nesta altura ja muito suados, mas bastante agitados.
Arrepiou ouvir o refrao em uníssono, com Rotten a deixar de cantar e apreciar as 5000 pessoas em delirio.
No final referiu “é um grande prazer e uma grande imagem que obtenho daqui de voces, muito obrigado”.
Steve Jones, Paul Cook e Glen Matlock cumpriram excelentemente, agarrando os temas , dando bastante 'corpo' as cancoes, mas mantiveram-se algo discretos.
Os Sex Pistols terminaram com “Bodies”, ja com a plateia completamente rendida e sedenta.
Missao cumprida, senti que realmente fez sentido este regresso, para proporcionar a quem nao pode ver na altura a fúria, a garra da banda, o impacto que tiveram na musica e que tanta tinta fez correr nos tabloides, especialmente no Reino Unido, mas tambem no mundo inteiro.
Nesta actuacao apenas falhou “Belsen Was A Gas” que os Sex Pistols agora interpretam como “Baghdad Is A Blast”, que pela curiosidade da adaptacao, fez alguma (minima) diferenca.
Ja na rua, no Backstage (bar junto a Brixton Academy), bebia uma cerveja bem fresca e deslumbrava-me com a imensa variedade de punks que saiam da sala Londrina, ao som dos Pistols (que se via e ouvia no bar, com videos projectados). A festa seguiu no bar com o pessoal todo em conversacao, dos pormenores do concerto e opinioes efusivas dos varios momentos.
Brixton estava invadida de punks em todas as direccoes, o pessoal dispersava lentamente, a maior parte de garrafa na mao (devia de ser um verdadeiro espectaculo visto de cima).
A saborear a minha Carlsberg, so me ocorria um pensamento…
God Save The Sex Pistols…