domingo, março 12, 2017

Miss Cadaver - review ao disco "Mänifestvm Raivus"


Foi lançado recentemente o segundo álbum dos Miss Cadaver.

A banda portuguesa formada em 2009 na zona de Arruda dos Vinhos, desde cedo que se tem mostrado activa com ´demos`, participações em tributos, em discos partilhados (split) e o seu primeiro estoiro com «Morte Ao Fado» (2011).

E o dueto de Rui Vieira (guitarra, baixo e voz) e Hélder Rodrigues (bateria) tem mantido a sua identidade/sonoridade, com um cunho bastante próprio numa toada e feeling punk, mesclada de crust e thrash.



Chega-nos agora "Mänifestvm Raivus", um disco potente, com uma produção cuidada (talvez polida em demasia) e com treze temas carregado de letras mordazes.

O álbum abre com «Carrascos De Serviço", uma introdução de violino serve esta faixa cheia de breaks, com um ritmo que sonoramente faz lembrar um universo semelhante aos Comme Restus, para logo de seguida ter um interlúdio a interromper o headbanging.

"Deus Castiga" é talvez a faixa mais aliciante, com um balanço frenético  e muito fácil de entrar no ouvido (e difícil de sair da cabeça, com o gutural «Cuidadooooo...»).

O disco segue com várias faixas bem trabalhadas, a rondar os dois, dois minutos e meio.



Em "Cão Raivoso" sente-se alguns ecos de Mão Morta. mas logo se seguida varia e também contempla uma linha crossoverold-school como em «FFF» ("Fátima, Fado e Futebol", com apenas 6 segundos).

Há muito metal em "Cultura Do Medo", linhas fortes baixo com letras debitadas em "Guerreiro Do Asfalto" (tema algo diferente dos outros)

O inspirado «Narcopunk» é quase dançável (para o corpo e ouvidos, refira-se, não em termos do estilo musical), minimalista em termos de letra, torna-se simples e directo.




Há também momento de referência e homenagem prestada, com o tema a «Ribas» (Kú De Judas, Censurados, Tara Perdida), num instrumental de 36 segundos e ainda foto do saudoso vocalista no livro do CD e dedicatória como fonte de inspiração (e também referência a Rui Rocker, dois ´gigantes` portanto).

Faixa bem diferente é «Solução», tanto a nível de voz como musicalmente, desperta a curiosidade e despoleta a vontade de ´voltar atrás` para ouvir de novo.

Ao fim dos 32 minutos, fica a sensação de um trabalho bem conseguido, com uma qualidade de gravação acima da média (destaque para as vozes completamente perceptíveis) em que os Miss Cadaver deixam aqui a sua marca, que cativa e ficará como um registo a ter (muito) em conta neste 2017 que se espera muito activo para (quem sabe) apresentarem ao vivo os temas deste manifesto.

Longa vida a este cadáver...!



Podem ouvir este disco na íntegra, clicando já abaixo...





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